Mais um ano, mais um filme, como sempre. In time, um filme americano recheado de ação, um pouco de ficção científica, e vamos admitir que ainda tem a sua pitada de romance. Volto a dizer: como sempre. Um filme de 2011 que julgava ser alucinante em todos os pontos, especialmente tendo em conta a história. Entusiasmo, esse, que se apoderou de mim para ver este filme, e, não vou mentir, foi bem-sucedido!
Num futuro, não muito distante, as pessoas param de envelhecer aos 25 anos, e têm de trabalhar para comprar mais tempo de vida. Quando um jovem se vê com mais tempo do que aquele que poderia imaginar, tem que se colocar em fuga para escapar daqueles que lhe querem roubar o seu tempo.
Este filme conta com um bom elenco, não vou negar, parece-me ter sido escolhido a dedo. Conta a participação alucinante de Justin Timberlake, Amanda Seyfried e Cillian Murphy. Três atores principais que não só interpretaram a devida personagem, como foram a própria personagem. Não foram só representações, foi uma vida que ali foi exposta. Fizeram um excelente trabalho, um trabalho que não esperava estar tão bom. Não muito frequentemente, encontramos em filmes deste género atores tão bons que façam a personagem ganhar vida. Citarei em especial a representação de Justin Timberlake, como Willie Sallas. Justin foi excelente com as expressões, interpretou-as de uma forma que nunca imaginaria, os movimentos, igualmente. É raro vê-lo com uma interpretação tão boa, especialmente quando os filmes do mesmo não passam apenas de entretenimento, mas neste filme Justin Timberlake merece um grande mérito. Igualmente para Amanda Seyfriend e Cillian Murphy, que na generalidade considero excelentes atores, e neste filme não foram exceção.
In Time teve uma realização muito boa. Os ângulos de imagem estavam num bom nível, não se basearam a focar nas personagens ou no espaço, como focou em especial a situação dos figurinos. Por exemplo, estamos numa zona pobre, na periferia, onde o tempo é escasso e as pessoas quase que se devoram umas às outras para serem imortais, e, como é evidente, temos o “herói”. As camaras não ficaram a focar o dito “herói”, dando-nos uma imagem mais abrangente do que se está a suceder naquela área. Ainda sobre os ângulos, acho que foi um pouco um trabalho de quase génio, especialmente a forma de como focaram a imagem das expressões das pessoas e em especial das personagens principais, dando-nos a envolver-nos com elas, podendo quase sentir o que elas sentem. Ainda na realização, destaco o cenário, que mostra as duas realidades patentes no filme, assim como destaco as diferenças sociais, em termos de riqueza de tempo, visto que aqui tempo é dinheiro.
Outro ponto forte deste filme é a banda sonora. Uma banda sonora é sempre importante para um filme, em especial se for bem escolhida. O que foi o caso. Uma banda sonora que nos leva a fantasiar mais um pouco. Foi escolhida de forma decente, e posta de igual modo. Não interrompe as falas de ninguém, e quando aparece é para mostrar, sem margem de dúvida, que algo ali vai acontecer, que há mistério ou simplesmente é mais uma forma de nos deixar envolver na história.
E por falar em história… Não é má, mas não é excelente, simplesmente… É… É uma história que lendo a sinopse ou até vendo o trailer ficamos “Tenho que ver! Tenho que ver!”, a verdade fica que quando vemos vamos ficar “É bom, mas não muito diferente do que é costume”. Nesta história temos os mauzões, os heróis, e os que simplesmente tentam por tudo em ordem. Típico. Dentro da história, destaca-se o diálogo, que também não foi excelentes, mas foi bom, especialmente falas que me deixaram boquiaberta por ser tão verdade, e em especial nos dias de hoje. O que acaba por ser tornar algo saturante, porque estamos à espera de ver uma sociedade diferente, com mais ou menos ganância, mas não uma sociedade de um futuro próximo em que a ganância mantém o mesmo nível da atualidade. Não é um diálogo extenso, e na sua maioria não transmite muito interesse. Porém, uma minoria transmite uma realidade, uma realidade que ninguém espera, uma realidade que magoa, mas é a realidade… Destaco, também a originalidade do tema, que acho que nem todos teriam pensado ainda. Os meus parabéns ao realizador, Andrew Niccol por se ter antecipado.
Finalizando, digo que é um filme bom, porque é. Para quem gosta de ação, aconselho, mas não vivamente. O filme não é nenhum Collateral, nem nenhum Kill Bill, nem coisa que se pareça, ao ponto de chegar a uma altura e nos perguntarmos “Onde está a ação?”. Para quem gosta de uma diversão em família, a ver filmes de ação, ou até sozinho e simplesmente quer ver uns tiros e umas pessoas a quase fazer parkour, também aconselho. Quem gosta de finais banais, previsíveis e felizes, então este é um bom filme para vocês. Mas não para mim, esperava algo mais deste filme para ser sincera, especialmente o final. Esperava algo estrondoso, algo nunca visto tendo em conta o desenrolar final do filme. Embora contenha boas falas, uma boa banda sonora, e bons atores, o filme não está algo que vá revolucionar o mundo, e que muito menos nos vá fazer mudar hábitos por muito que mostrem a ganância e indiferença do ser humano. A única lição de moral que nos dá é que todos morremos, que é uma lei da vida, que compete a todos e que não há necessidade de lutar para tal. A única coisa estrondosa que obtive foi um pouco de desgosto… Um desgosto de simplesmente ser mais um filme banalizado sabe-se lá porquê.
2.5 estrelas em 5
Realizador: Andrew Niccol
Argumento: Andrew Niccol
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy , entre outros.