domingo, 11 de novembro de 2012

Crítica: "Cosmopolis"

0 comentários


 Mistério, dinheiro, revolução. Podemos dizer que este filme é quase completo, o mais soberbo que alguma vez poderia haver tendo em conta a novidade temática. Um filme de David Cronenberg, onde o papel de protagonista foi dado a Robert Pattinson, e foi isto que aconteceu.



 Eric, um golden boy de 28 anos, fez da sua vida um microcosmos obsessivo e violento do mundo de hoje em dia. Uma obra frenética e visual, numa unidade de tempo e lugar- 24 horas em Nova Iorque. Um filme de David Cronenberg, cineasta visionário do colapso do mundo, adaptação de um romance entre o real e o virtual, onde o protagonista penetra num labirinto de imagens contraditórias e assimétricas, é uma promessa de luz para cada espectador.


 Comecemos pelo princípio. Uma palavra: d-e-s-a-s-t-r-o-s-o. Tudo começa numa limusine. Limusine = carro = janelas = paisagem. E é a paisagem que merece a reputação de desastre. Porquê? Porque é algo inadmissível em 2012, um ano de tantas inovações técnicas, haver paisagens do século passado. Não vos vou baralhar mais os neurónios, e vou explicar-vos o que se passa aqui. Normalmente, durante um filme, quando uma cena se passa no carro, podemos observar a paisagem através das janelas do mesmo. Felizmente graças às novas tecnologias, o cenário parece mais real, parece mesmo que estão a passar por todos aqueles sítios super lindos. Portanto, o que acontece neste filme é que essa “bela” paisagem, mostra-nos (indirectamente, obviamente) que atrás tem um painel verde “mágico”. É que é simplesmente, puramente, pateticamente ridículo que um erro destes aconteça em pleno século XXI. É que a minha primeira reacção ao ver o filme foi: Ó meu Deus, nota-se tanto que aquilo é cenário! O pior de tudo, é que o filme tem quase duas horas, e na sua maior parte passa-se nessa limusine! Mas o pior mesmo, é ver que dentro da limusine que aquilo tem uma tecnologia do caneco. Enfim, maus investimentos, maus resultados.



  Antes de prosseguir tenho a avisar-vos que achei este filme ridículo. No sentido literal na palavra. Desde esse pormenor gigante do cenário, ao facto de o filme se passar todo numa limusine. Porquê? Não faço a menor ideia. Se podia ser interessante? Podia, muito até, mas não foi o caso. O filme tem coisas que para mim não bateram certo. A mudança de cenas foi ínfima… Foi estranha, podia ter sido melhor. Os cenários em geral, não foram maus, mas faltava mesmo ali algo, em especial na limusine. O filme é confuso, a história é confusa, eu fiquei confusa. Estava com expectativas positivas para este filme, especialmente porque vi o trailer no cinema e pareceu-me bastante entusiasmante.


 Antes de irmos para os pontos fortes deste filme, quero só realçar mais um ponto fraco. O protagonista. Robert Pattinson, não é, para mim, um bom ator. Não é mau, mas há melhores. Acho-o demasiado inexpressivo e pouco versátil. O último filme que vi dele, antes deste, foi o Water for Elephants, de Francis Lawrence, onde, por acaso, gostei muito da prestação dele. O papel também não era muito exigente, mas foi bem interpretado. Neste filme acontece o mesmo, e digo-vos porquê. Eric Packer é um jovem-adulto bastante misterioso, é estranho, é excêntrico e não gostava de o conhecer. E acho que a escolha de Pattinson para este papel foi simplesmente perfeita. Há uma certa dificuldade em interpretar uma personagem tão misteriosa assim, quase sem expressões, que mal se ri, está sempre séria, e é, até certo ponto, maníaca. E nada melhor do que Pattinson para o fazer. Aqui dou-lhe os parabéns, porque conseguiu ser ele próprio num filme. Ainda dentro das personagens, faço um especial destaque para Sarah Gadon, que é a esposa de Eric, que tem de facto aqui uma prestação leve, não muito presente, mas no entanto acima do nível mediano, bem como a Paul Giamatti, que tem uma prestação brilhante, ao fazer de um revoltado com a vida e com riquinhos mimados como Eric.



 Outra coisa que favoreceu bastante este filme, foi o argumento. Está simples, mas fenomenal. Tem ali certos diálogos que não lembram nem ao diabo, mas tem outros bastante interessantes e de certa forma cultos. Foi uma salvação para o filme, mas que, sendo um argumento, devia ter uma história com um desenvolvimento menos inócuo e mais interessante. A história deveria cativar-nos, e não foi isso que aconteceu. Houve, aqui na parte dos diálogos, uma coisa à qual prestei muita atenção ao longo do filme, que foi algo que me deixou um pouco intrigada. Quando apareciam falas mais longas, as personagens falam com uma rapidez tremenda. E isto deixou-me com a cabeça às voltas porque fiquei a pensar, que para além de o filme ter sido uma desilusão, ainda o fizeram praticamente a despachar.


 Por fim, outra coisa que me deixou bastante atenta ao filme, de uma forma positiva, foi a banda sonora. Em especial no fim, porque a música começou a aparecer de fundo, acabando bem audível para os nossos ouvidos, dando-nos a entender o mal que está prestes a acontecer. Mas isto acontece em todo o filme, que ao longo do seu desenvolvimento, a música vai-se tornando mais “agressiva” de modo a mostrar que o mundo à volta de Eric está em completa transformação, que está tudo a ir cano abaixo.



 E assim concluo, dizendo que o filme é mau. É ridículo, desculpem-me a sinceridade e a brutalidade, mas é um facto. Tem um desenvolvimento parvo, momentos no filme que nem deviam ali estar porque não fazem sentido, tem cenários que parecem ser do século passado, é entediante, e só não adormeci porque tinha o computador em cima de mim. Contudo, tem um bom diálogo e frases muito sentidas e filósofas, e uma banda sonora que, por vezes, nos deixa um pouco mais despertos.


 Realço o facto de, embora não tivesse gostado do filme, não lhe vou dar uma pontuação de todo negativa, porque os poucos pontos fortes que o filme tem, são mesmo fortes e cativantes.


2,5 estrelas em 5


Realizador: David Cronenberg


Argumento: David Cronenberg


Elenco: Robert Pattinson, Sarah Gadon, Juliette Binoche, Paul Gimatti, Kevin Durand, entre outros.






Leave a Reply

 
Este Blog nao é para velhos © 2013 Winet & Grupo 4-4-2. Desenhado para Este Blog Não é Para Velhos

Cinema, Música, Televisão e Vídeojogos...