Destino: Roma. Bilhete só de ida. E nada melhor do que ir para Roma… Com amor. Pois é, eu fui para Roma sem sair de Portugal, devido ao Woody Allen. E fiz uma viagem bastante interessante até. Com bastante humor e romance, não me posso queixar da viagem que fiz.
Neste filme, temos a presença de quatro histórias que se vão desenvolver somente na bela cidade de Roma. Nesta cidade italiana temos a presença de uma turista americana que encontra o amor da sua vida enquanto pede indicações. Temos um casal recém-casado que vai para Roma com o intuito de construir lá a sua vida. Temos, também, um arquitecto famoso que vai passar umas férias a Roma, e vai à procura da sua antiga residência enquanto lá estudava. Aí encontra um jovem estudante de arquitectura, que vive com a namorada, e acaba por se apaixonar pela melhor amiga dela. Por fim, temos um italiano que do dia para a noite passa a ser a pessoa mais famosa de Itália.
Nesta brilhante comédia romântica, temos Alison Pill a interpretar o papel de Hayley, uma jovem americana que durante uma visita turística à capital italiana, encontra Michelangelo (Riccardo Scarmacio), o homem da sua vida, com que se vai casar nesta belíssima cidade. Esta é uma história de amor que não ganha muita relevância ao longo do filme, mas que ganha um certo destaque por ser a história introdutória ao mesmo. Tanto Alison como Riccardo tem aqui prestações brilhantes, embora se tornem um pouco secundárias. No entanto não deixam de ser interessantes. Dentro deste enredo temos outro de forte interesse. Como Hayley se vai casar, os seus pais foram até Roma para conhecer o seu noivo, e para assistir ao casamento. Jerry (Woody Allen), o pai de Hayley é um famoso compositor reformado, mas que ainda não se conformou com a ideia. Em Itália descobre que o pai do seu futuro genro tem um forte potencial para a ópera…. Mas apenas no banho. Contudo, quer lançá-lo na carreira musical. Em contraposição está Michelangelo e a sua mãe. E é aqui que o papel de Riccardo Scarmacio ganha uma maior relevância, mostrando a sua versatilidade como ator. Antes de passar para a história que se segue, realço que Woody Allen aqui foi bastante criativo, ao dizer que mesmo sendo nós cantores de banheira, conseguimos ser bem-sucedidos… Nem que para isso tenhamos que levar o chuveiro atrás de nós.
E não se deixando ficar pela crítica de que na banheira somos todos Whitney Houstun’s, Allen deixou aqui bem patente que de um momento para o outro somos todos Paris Hilton’s. Uma comparação bizarra talvez, mas explicável. Nesta história que se segue, temos um casal italiano de classe média. Leopoldo Pisanello (Roberto Benigni), é um pai de família aborrecido, que um dia ao sair de casa se vê rodeado de jornalistas que lhe fazem dezenas de perguntas, sobre as coisas mais ridículas que possamos imaginar. Pois é, gostei bastante desta crítica transmita no grande ecrã relativamente aos socialites, cujas notícias saem a todos os instantes nas revistas cor-de-rosa, só para dizer que foram vistos a comprar um par de calças, sabe-se lá porquê. Roberto Benigni tem aqui, de facto, uma boa representação, mas que se deixa ultrapassar pela mensagem que Woody Allen nos quer transmitir.
De seguida temos John (Alec Baldwin), um famoso arquitecto americano que está a passar férias em Roma, decide fazer um roteiro sozinho à procura do bairro onde vivia enquanto jovem. Aí, encontra Jack (Jesse Eisenberg), um estudante americano de arquitectura, que vive na mesma rua e na mesma casa que John, enquanto este lá esteve. Esta é uma história que deixou confusa por uns instantes, porque aparentemente John passou por todos os dilemas que Jack está a passar relativamente a Monica (Ellen Page), a melhor amiga da sua namorada, que é uma atiradiça de primeira, e que foi para Roma porque teve um desgosto amoroso. Então quando Jack está a dar um passo em falso, John aparece dizendo todos os pontos fracos do que ele está prestes a fazer. Torna-se, então, confuso, pois parece que apenas Jack o vê … Mas não, todos os veem. John é simplesmente um colas que está em qualquer lado que Jack esteja para evitar que ele cometa o mesmo erro que ele. É a história que contém um maior destaque ao longo do filme, e que de facto é bastante cativante. Para além de ser interessante, tem a pitada de comédia e de drama pretendida para o género do filme, e Alec Baldwin tem aqui uma brilhante prestação, que merece, sem margem de dúvida um grande destaque. De realçar que tanto a prestação de Jesse Eisenberg e de Ellen Page são bastante boas e entusiasmantes.
Por fim, e não menos importante, temos um casal recém-casado vindo da província italiana directamente para Roma, onde Antonio (Alessandro Tiberi) quer impressionar a sua família com a sua esposa. Neste momento de impressionar entra Penélope Cruz, a interpretar uma prostituta italiana (Anna), com o seu enorme charme e encanto. Ela tem aqui um bom papel, e sem dúvida uma boa interpretação, sem esquecer que um italiano quase nato. Já a mulher de Antonio, a Milly (Alessandra Mastronardi), é uma mulher que se deixa levar pela curiosidade, ao perder-se em Roma. É um papel que também não foi mal representado, pois este elenco foi escolhido muito bem, e as prestações estão acima do nível mediano.
Falo, por fim, de três pormenores de grande importância: cenário, banda sonora, diálogo. Todos os três a merecerem um grande mérito. Eu atrevo-me a dizer que me senti em Roma só de ver o filme. Todas aquelas belas paisagens, os ângulos na altura certa, a forma de como nos é mostrada a cidade como se fossemos nós que lá estivéssemos. E a banda sonora, dá-nos tanto aquele espírito de Itália, aquele espírito romântico, aventureiro, musical… É de facto uma banda sonora que se enquadra na perfeição e que foi perfeitamente adaptada ao filme. Quanto ao diálogo digo o mesmo, pois é soberbo. Não é de uma cultura por aí além, mas é de forte interesse pois não se torna entediante; até pelo contrário.
Este filme é de facto um filme que merecia pelo menos uma nomeação para os óscares, por enquanto, pois o mundo do cinema é enorme e nunca sabemos o que vamos ver a seguir.
Congratulo com toda a minha alma o bom trabalho de realização e do argumento de Woody Allen, pois graças a ele tive um momento bastante agradável na sala de cinema, e o meu desejo de visitar Itália aumentou devido a este filme, por nos mostrar de facto o quão bonito o país é.
4 estrelas em 5
Realizador: Woody Allen
Argumento: Woody Allen
Elenco: Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Woody Allen, Ellen Page, Alessandro Tiberi, Riccardo Scarmacio, Alison Pill, Roberto Benigni, Alessandra Mastronardi, Penélope Cruz, Judy Davis, Greta Gerwig.